A importância da qualidade da matéria-prima nos alimentos para animais de companhia

A produção de alimentos para animais de companhia cresce de forma contínua em todo o mundo. À medida que o poder aquisitivo da população mundial aumenta, mais pessoas passam a alimentar seus animais com alimento industrializado, bem como procuram alimentos de melhor qualidade. Comercialmente, os alimentos secos extrusados para animais de companhia são segmentados com base na qualidade, expressa, principalmente, pela sua digestibilidade, ou seja, quanto do alimento consumido o animal consegue absorver. Assim, tem-se o alimento econômico, com digestibilidade inferior a 70%; o alimento padrão, com digestibilidade entre 70 e 75%, o alimento premium, com digestibilidade entre 75 e 80%, o alimento super premium, com digestibilidade entre 80 e 85% e o alimento para desempenho, com digestibilidade maior que 85%.

A qualidade do alimento seco extrusado é influenciada principalmente por três fatores: qualidade da matéria-prima, formulação do produto e pelo processamento. O equilíbrio entre estes três fatores é fundamental para a qualidade. Qualquer falha em um deles irá comprometer a qualidade final do produto.

Quando se deseja produzir um alimento de qualidade, a seleção e escolha das matérias-primas a serem usadas é o passo inicial. Se não se iniciar a produção com matérias-primas de qualidade, por melhor que seja a formulação ou o processamento, não será possível obter um produto de qualidade. A aquisição de matéria-prima de qualidade inicia-se na seleção do fornecedor, o qual deve ter como meta manter a qualidade do produto durante todo o ano. A confiabilidade no fornecedor é indispensável. Ainda, no que se refere a qualidade da matéria-prima, o estabelecimento de padrões de qualidade e a verificação constante dos mesmos é essencial. O departamento de qualidade tem que ter ascendência sobre o departamento de compra e poder de recusar produto fora do padrão. Toda matéria-prima, antes de entrar na fábrica, tem que passar por análise de parâmetros críticos, sejam nutricionais ou de contaminantes, bem como do seu estado de conservação. Recebida a matéria-prima e atestada sua qualidade, ela tem que ser armazenada até o momento de ser usada, em condições que a mantenham íntegra, tendo-se o cuidado de se observar o seu prazo de validade. Para tal, é importante a integração entre o departamento de compra e o de produção, para que não falte, mas também não se mantenha o produto em estoque por muito tempo.

Quando se fala em qualidade de alimento para animal de companhia, não se deve esquecer que, para os donos dos animais, eles são como membros da família. Qualquer provável problema que possa surgir decorrente do consumo do alimento é forte motivo para a troca do mesmo e para a conseqüente perda do cliente.

 

Geraldo L. Colnago
Mestre em Zootecnia/Nutrição de Monogástricos pela UF de Viçosa em 1979.
PhD em Nutrição de aves pela Universidade da Geórgia, em 1983.
Pós-Doutorado em Nutrição de Animais de Companhia pela Universidade de Illinois, em 1985.
Professor visitante da Universidade da Geórgia, 1990/1991.
Professor da Faculdade de Veterinária da UF Fluminense de 1977 a 2011.
Consultor para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da FVO Alimentos de 2002 até o presente.