Porque os alimentos livres de grãos (grain free) não são melhores

(Traduzido e adaptado de artigo de Ryan Yamka, 14 de agosto de 2017)

Um dos mais recentes modismos da indústria de alimentos secos extrusados para animais de companhia foi a introdução dos alimentos livres dos grãos tradicionais (milho, trigo, soja, etc), as chamadas rações ‘ grain free ‘. Esta é mais uma tentativa, de algumas empresas, de diferenciar os seus produtos num mercado cada vez mais competitivo e dinâmico. Esta tendência começou a partir do grande “recall” ocorrido nos EUA em 2007, devido a presença de melanina nos alimentos que usaram glúten de trigo importado da China. Neste acontecimento, os consumidores perceberam que, tanto os alimentos de marca própria ou genéricos, como são conhecidos nos EUA, como os alimentos premium de marcas tradicionais, usavam os mesmos ingredientes e muitas vezes os mesmos fornecedores.

Outro fator que tem contribuído para este modismo é a humanização dos alimentos para animais de companhia. Com a introdução de verduras, frutas e tubérculos nos alimentos para cães e gatos, a indústria atrai para seus produtos a parcela da população que acha que os seus animais devem consumir os mesmos tipos de alimentos que eles. Cabe ressaltar aqui, que este não é um bom argumento, visto que o ser humano é o animal pior alimentado deste planeta. Precisamos nos conscientizar, de uma vez por todas, que cães e gatos são espécies animais diferentes do ser humano e têm características genéticas, anatômicas e nutricionais distintas. Alimentar cães e gatos com os mesmos alimentos usados nas nossas refeições é condená-los a ter uma vida mais curta, com problemas esqueléticos, de pelagem, entre outros.

Pesquisas

Além disto, como veremos a seguir, as pesquisas com cães e gatos demonstram que não há diferença do ponto de vista de digestibilidade e aproveitamento dos nutrientes entre os alimentos com grãos e os livres de grãos. A digestibilidade do amido é igual em cães, independentemente da fonte (à base de grãos ou livre de grãos). Vários estudos publicados no início deste século mostram a mesma digestibilidade do amido (maior que 98%) para alimentos para cães feitos com grãos (milho, cevada, arroz, sorgo, e trigo) e os livres de grãos (à base de batata, ervilhas, lentilhas, mandioca). Para gatos, a mesma tendência foi observada. Estudos mostraram digestibilidade similar do amido de ambas fontes de carboidratos, grãos (milho, arroz e sorgo) e livre de grãos (lentilha e ervilha). A digestibilidade do amido foi maior que 93%, mostrando que gatos podem digerir carboidratos de forma eficiente, se eles forem extrusados. Todas as fórmulas deste estudo tinham 35% de amido.

Os grãos são a base da alimentação humana e animal há milhares de anos. Os  ganhos de produtividade conseguidos ao longo dos anos os tornaram alimentos mais em conta. Retirar, sem razão, os grãos dos alimentos para animais de companhia irá resultar em alimentos mais caros e mais competição direta com a alimentação da humanidade, sem ganhos consideráveis para os animais de companhia.